DIdi Krepinsk

Reserve Aqui13/11/2018

Depois de passar 5 noites em Tóquio, seguimos para Hakone, uma região a cerca de duas horas de trem da capital, conhecida por suas águas termais. O local oferece um cenário montanhoso espetacular coroado pelo Mt. Fuji. Há complexos de Spa aqui para viajantes de dia, mas eu sugiro passar uma noite em um ryokan (inn japonês tradicional). É uma bela fuga da movimentada capital de Tóquio. Foi exatamente isso que fizemos antes de seguir viagem para Kyoto.

DAY 1

Os serviços de correio expresso são populares no Japão e muitos turistas domésticos os usam para enviar suas malas para o destino, evitando levá-las no transporte público. Este é um ótimo serviço e funciona muito bem, exceto por uma ressalva: na maioria dos casos, suas malas não chegam lá até o dia seguinte. O fornecedor que organizou toda nossa viagem recomendou esse serviço, então de manhã, antes de sair em direção às montanhas, enviamos as nossas malas de Tóquio para o nosso hotel em Kyoto. O hotel providenciou este serviço para nós. Os custos variam dependendo do tamanho e do peso da mala, e para onde ela está indo, mas normalmente é em torno de ¥ 2000 (USD 20). Dessa maneira, nos livramos da bagagem grande e levamos apenas uma malinha de mão para Hakone, aonde passamos a noite.

Encontramos o nosso motorista no lobby do hotel em Tóquio às 9h e seguimos viagem! A programação era ir para o Fuji Shibazakura Festival de manhã (umas 2h30 de carro), mas como todas as flores floresceram mais cedo este ano no Japão, perdemos a época boa e fomos informados que não valia a pena ir – não tinha mais nenhuma quase! O festival acontece de abril a maio no Fuji Motosuko Resort, a 3 km ao sul do Lado Kawaguchi-ko, na região dos cinco lagos. Com o Mt Fuji ao fundo no cenário, 800 mil flores Shibazakura (“Moss Phlox” ou “flores de musgo” como são chamadas em português) formam um extenso tapete nas cores rosa, magenta e branco. É maravilhoso! Fiquei arrasada que perdemos!!! Querendo se redimir, o nosso motorista fofo sugeriu nos levar para os jardins botânicos de Jindaiji aonde estava tendo um festival de rosas. Topamos!

Os jardins botânicos de Jindaiji ficam em Chofu City, nos arredores de Tóquio. Chegando lá caminhamos pelos arredores do parque e do templo Jindaiji. A rua principal dessa área é uma graça! Muito charmosa por sinal. Tem vários restaurantes e lojinhas vendendo doces e salgadinhos. Provei o meu primeiro sorvete de matcha aqui e gostei! Não sou muito chegada em chá verde, mas até que o sabor do sorvete era bom! Kkk. A especialidade de Jindaiji são os soba noodles e andando vimos um monte de restaurantes de soba! Os jardins botânicos de Jindaiji são bonitos, mas comparado com o que queríamos ver inicialmente, nada superaria. Esse é um dos maiores jardins de rosas com mais de 400 espécies! Mas o festival ainda estava no começo. Deu para ver bastante coisa até, apenas não impressionou. Mas valeu para matar o tempo!

Em seguida, dirigimos até o Arakurayama Sengen Park, em Yamanashi Prefecture, para visitar a Chureito Pagoda. Trata-se de uma pagoda de cinco andares na encosta da montanha, com vista para a cidade de Fujiyoshida e para o Mt. Fuji ao longe. A pagoda faz parte do Santuário Arakura Sengen e foi construído como um memorial da paz em 1963. A localização oferece vistas espetaculares do Mt Fuji em combinação com o pagoda, especialmente durante a temporada de flor de cerejeira em meados de abril. O local é particularmente popular entre os fotógrafos, pois permite algumas fotos maravilhosamente estereotipadas do Japão – você com certeza já viu as fotos abaixo em vários lugares! Kkk. Uma pena que o dia estava nublado então não deu para enxergar o topo do Mt Fuji, mas mesmo assim a vista é linda! No entanto, para chegar até o topo é puxado – são 398 degraus até a base da pagoda e depois mais um pouco para chegar no observation deck, o melhor local para tirar as fotos. Uma parte da subida até a pagoda é bem íngreme!! Meu pai desistiu tadinho! Kkk. Mas vale a pena!

Almoçamos num restaurante chamado Koshu Hoto Kosaku em Kawaguchi-ko, famoso por “hoto”. O hoto é um prato tradicional local da prefeitura de Yamanashi, feito com macarrão de trigo grosso (parece um udon extra expesso), uma sopa à base de missô e uma grande quantidade de vegetais, frequentemente servido em uma panelinha de ferro (“hot pot”). É delicioso!!! O restaurante era bem típico, todo de tatame, então tinha que tirar os sapatos na entrada. Achei isso o máximo! Hahaha. Era tão típico que foi ali que encontrei o primeiro banheiro com o buraco no chão hahaha e os famosos “toilet slippers” (chinelinhos para usar no banheiro).

Depois do almoço, seguimos em direção à Hakone para poder aproveitar o resto da tarde relaxando no hotel. No caminho fizemos uma parada rápido no lago Kawaguchi-ko, o melhor lugar para ver o Mt. Fuji, mas o tempo estava muito encoberto, é uma pena! Mas as vistas daqui são lindas! Nos hospedamos por uma noite no Ryokan Kinnotake Tonosawa. Nessa região existem vários ryokans, mas talvez o mais conhecido (e o melhor) seja o o Gora Kadan. Como eu mencionei num dos primeiros posts do Japão, planejamos a viagem de última hora então não conseguimos quarto no Gora Kadan. Os meus pais se hospedaram lá da última vez e amaram. Como estava muito em cima, não sobrou muita opção, então acabamos optando por esse que era bem mais moderno e mais “western”. Mesmo assim, achei a experiência legal! Portanto, vale a pena reservar com muita antecedência, pois esses hotéis mais típicos são bem disputados! Outra coisa que vale mencionar: se você tiver quaisquer restrições alimentares (ou alimentos que você deseja evitar) seja direto sobre isso no momento da reserva. Lugares que acolhem regularmente visitantes estrangeiros podem acomodar determinados pedidos, mas outros não. Isso aconteceu comigo. Tinha um outro ryokan super bonito disponível, mas eles não podiam acomodar os meus pedidos, então tivemos que optar pelo Kinnotake. Mas eu adorei o hotel mesmo assim!

Ryokan significa “pousada” em japonês, mas nesta era moderna de hotéis, a palavra passou a significar uma pousada com uma estética e uma atitude particular em relação ao serviço que parece mais tradicionalmente japonês. A maioria dos ryokan tem piso de tatami onde os hóspedes dormem em futons (colchões acolchoados) em vez de camas. Eles são geralmente edifícios baixos com corredores sinuosos de madeira altamente polida. Dito isto, cada ryokan pode ser muito diferente. Alguns são famosos por seus banhos onsen (em ambientes fechados ou ao ar livre) e outros são famosos por sua comida, servindo “kaiseki ryori” (refeições requintadas de ingredientes locais e sazonais). Os mais exclusivos são famosos por ambos. É uma experiência verdadeiramente memorável.

Existe uma etiqueta básica a ser seguida quando você se hospeda em um ryokan! Em qualquer um, você deve deixar seus sapatos na porta e colocar os chinelos que estarão separados para você. Todos os hotéis no Japão costumam fornecer um pijama para dormir e nos ryokans, este será um “yukata”, uma espécie de robe leve de algodão parecido com um quimono. Existe uma maneira certa de vestir o yukata: coloque-o sobre sua roupa, com a parte direita embaixo da esquerda. Os homens normalmente amarram o “obi” (faixa) baixo em seus quadris, enquanto as mulheres amarram a faixa na cintura. Você pode e deve usar o “yukata” em qualquer lugar do ryokan: desde os banhos às refeições. É divertido!

Nos instalamos no nosso quarto e resolvemos relaxar então no “onsen” do hotel, que nada mais é do que um “banho público”. Existem diversos tipos de onsen espalhados pelo Japão, muitos deles unissex, mas no caso do nosso hotel, homem e mulher era separado. Assim como tudo no Japão, existe uma certa etiqueta a ser seguida no “ritual do onsen”. Como a gente tinha um no nosso terraço, não vi a necessidade de ir no onsen público do hotel com outras pessoas kkk então fiquei no quarto mesmo, mas minha mãe foi. Recomendo procurar se informar sobre as regras antes para evitar sustos hahaha. A regra mais curiosa é em relação à tattoos. Muitas casas de banhos maiores e onsen com instalações de lazer e saunas recusam a entrada de pessoas com tatuagens por causa da associação de tatuagens com a “yakuza” (máfia japonesa)! Mas não se preocupe, você sempre pode cobrir a sua tattoo com um band-aid ou esparadrapo, se não for muito grande é claro. Por séculos, os japoneses transformaram o simples ato de banhar-se em um onsen em algo como uma religião. A água vem naturalmente quente de uma fonte termal e geralmente contém vários minerais diferentes. Além de se sentir muito relaxado e dormir muito bem depois de um banho no onsen, a água também tem a reputação de deixar a pele super macia, enquanto a sua composição química é considerada por alguns como milagrosa, ajudando a curar doenças como pressão alta, indigestão ou má circulação. De fato, eu me senti super relaxada depois e dormi feito uma pedra à noite! Hahaha.

Quando você se hospeda em um ryokan, as refeições sempre estão inclusas, e como mencionado acima, quase sempre será um jantar “kaiseki”. Fomos jantar às 7:30pm, que apesar de parecer cedo, era o last seating deles. Fomos de yukata, meias, chinelinhos e tudo! Kkk. Um jantar kaiseki é considerado o auge da culinária japonesa, onde ingredientes, preparação, ambiente e apresentação se unem para criar uma experiência gastronômica altamente ritualizada e esteticamente sofisticada. Nasceu em Kyoto como um complemento da cerimônia do chá. A refeição é servida em vários pequenos pratos, dando ao hóspede a oportunidade de admirar os pratos e tigelas, que são cuidadosamente escolhidos para complementar a comida e a estação do ano. A apresentação é realmente muito bonita. Um jantar kaiseki geralmente inclui sashimi (peixe cru), algo cozido no vapor, algo grelhado, uma sopa e termina com arroz, e depois uma simples sobremesa (embora possa haver muitos outros pratos). Existe jantar kaiseki de 12 pratos, por exemplo! Kkk. Num jantar kaiseki, carne quase nunca aparece, mas como eu não como vários frutos do mar, eles adaptaram o menu para mim. Comi até um “meat sushi”! Kkk. Meus pais comeram o menu tradicional. Estava tudo muito bom!

DAY 2

No segundo dia tínhamos apenas a manhã livre para passear antes de pegar o trem para Kyoto. Acordamos cedo e tomamos café da manhã, antes de encontrar o nosso motorista no lobby do hotel. Vale mencionar que o café da manhã servido num ryokan é o tradicional japonês, no entanto, vários oferecem também a versão “western”. Se a ideia de peixe e arroz no café da manhã não te agrada, recomendo se informar direitinho antes de escolher e reservar o seu ryokan! O nosso oferecia, então nem pensamos duas vezes. Mesmo sendo “western” ainda é um pouco estranho: primeiro eles serviram um prato de salada e depois uma sopa de cebola, antes de servirem a omelete. Achei meio exótico hahaha.

A nossa primeira parada foi o Hakone Open Air Museum. A ida para Hakone só valeu a pena por causa desse lugar, sinceramente. É muito lindo!! O conceito do museu é esculturas entre a natureza. Lembra um pouco o Inhotim. O museu é um enorme ambiente arborizado, a céu aberto, que inclui uma impressionante seleção de esculturas japonesas e ocidentais dos séculos XIX a XX, incluindo obras de Henry Moore, Rodin e Miró, além de um excelente Pavilhão Picasso com mais de 300 obras do artista espanhol, variando de pinturas e arte em vidro para tapeçaria. Realmente vale a pena conhecer. É claro que o sol ajuda, então se possível, programe para ir num dia bonito e vá cedo para evitar a muvuca. Enquanto estávamos lá, vimos vários ônibus escolares visitando. Claro que a média de tempo que você gasta numa visita assim varia muito de pessoa e nível de interesse, mas calcule mais ou menos 1h30. Em menos tempo é impossível ver tudo!

Saímos do Open Air Museum por volta das 11h e nosso motorista nos levou para Gora, aonde pegamos primeiro um bondinho para Sounzan, antes de entrar no Hakone Ropeway até Owakudani, um vale vulcânico ativo. O “Great Boiling Valley” foi criado há 3000 anos quando o Kamiyama entrou em erupção e depois em colapso, formando também o lago Ashino-ko. Hoje, o sulfeto de hidrogênio e a água quente que saem do solo são usados para ferver onsen “tamago”, os famosos ovos que se tornam pretos nas águas sulfurosas, que você depois pode comprar e comer. Esse mesmo vale providencia água quente para todas as cidades em volta! Dá para chegar de carro em Owakudani, mas acho que faz parte da experiência e do passeio pegar o bondinho e a gôndola! O motorista nos deixou então na estação do bondinho em Gora e nos encontrou depois no topo de Owakudani.

O Hakone Ropeway é um passeio de gôndola de 30 minutos, com 4 km de extensão, que leva você de Sounzan à Togendai, passando por cima da cratera fumegante de Owakudani, uma das paradas ao longo do caminho e aonde descemos. Às vezes, o aumente da atividade vulcânica faz com que o teleférico não funcione por razões de segurança pública. Ao chegar em Owakudani, o barulho alto da atividade vulcânica e o cheiro de enxofre são o que mais chamam a atenção. Depois de alguns minutos você até acostuma com o cheiro, mas é bem forte! Eu insistir para ir aqui, pois eu queria muito ter a experiência de cozinhar um ovo preto! Hahaha. Mas infelizmente, hoje em dia eles proibiram os turistas de fazer isso porque está muito perigoso, então o programa meio que perdeu a graça sabe?! Quando meus pais estiveram lá uns 8 anos atrás, ainda podia…uma pena! Fiquei arrasada kkk. Você ainda pode comprar o ovo preto cozido para comer, mas ele já vem pronto. Um saquinho vem com 5 ovos. Os japoneses adoram, vi vários comendo lá hahaha. Por dentro ele é supostamente normal – branco, mas eu não tive coragem de provar! Quem sabe se eu tivesse cozido o meu próprio ovo eu teria! Hahaha. Lá do topo de Owakudani você também tem uma vista bonita do Mt Fuji!

De Owakudani, fomos direto para a estação de Odawara aonde almoçamos rapidamente e pegamos o shinkansen (trem bala) das 14h para Kyoto. Os shinkansen do Japão operam em trilhos separados dos trens regulares, pois operam a uma velocidade máxima de 320 km/h, ou seja, bem mais rápido. A viagem leva apenas 2 horas e o trem é SUPER confortável!! Nossa, eu fiquei impressionada! Super poltrona reclinável com excelente estofado e bastante espaço para as pernas. A viagem passou num piscar de olhos! Kkk. O trem também é extremamente pontual, saiu na hora exata. O único problema do trem é que não existe um depósito de bagagens, você é limitado a uma prateleira suspensa que cabe apenas uma mala de mão, semelhante àquela que caberia no compartimento superior de um avião. Por isso, vale super a pena usar o serviço de bagagens e enviar as malas para o seu destino antes. Eu gostei de Hakone, valeu, mas não achei tão imperdível assim…vale ficar uma noite apenas para visitar o Open Air Museum.

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