DIdi Krepinsk

Reserve Aqui 17/02/2020

Depois de Zanzibar, a segunda parada no meu roteiro da África foi a famosa Cratera de Ngorongoro no norte da Tanzânia. Para quem não sabe, a cratera, outrora um vulcão gigantesco, é a maior caldeira intacta do mundo. Alguns afirmam que, antes de entrar em erupção, teria sido mais alto que o Monte Kilimanjaro, considerado hoje a montanha mais alta da África e um dos “Sete Cumes” (as montanhas mais altas de cada continente). Hoje, desde que entrou em colapso e erosão, é uma extensa área montanhosa com a famosa cratera de 600 metros de profundidade como ponto focal. Com quase 3 milhões de anos, a antiga caldeira abriga um dos mais belos paraísos da vida selvagem no mundo. Se você assiste NatGeo, você certamente já ouviu falar nesse lugar! Eu sempre quis conhecer!

Patrimônio Mundial da UNESCO, a cratera é conhecida como Arca de Noé pela quantidade e variedade de animais – são mais de 25 mil, incluindo os Big Five (rinoceronte, elefante, leão, leopardo e búfalo)! A região compreende ainda os dois sítios arqueológicos mais importantes do mundo. Ao longo dos anos, a fertilidade do solo vulcânico e o suprimento de água durante todo o ano atraíram uma das maiores concentrações de caça da África. Como a Cratera tem paredes de 600 m de altura por todos os lados, criou seu próprio ecossistema independente. A grande maioria dos animais vive em Ngorongoro ao longo do ano, optando por não migrar, confiando no abastecimento de água e nos pastos notavelmente férteis da cratera. Como resultado, o game viewing é ótimo o ano inteiro. O que mais me impressionou foi a diversidade da paisagem – vastas planícies, lago de carbonato de sódio, bosques de acácias…o cenário é surreal!

Você sabia que a Tanzânia concentra quase 80% de todos os leões da África?! A Cratera de Ngorongoro possui o maior “PPC” – pride per capita, ou seja, o maior número de alcateias (famílias) de leões no mundo! Este é, sem dúvida, um dos melhores lugares do mundo para vê-los, assim como os rinocerontes pretos ameaçados de extinção (“black rhinos”) e o “black mane lion” (equivalente ao personagem do Scar no filme O Rei Leão). Uma curiosidade: apesar de serem o símbolo nacional da Tanzânia, na cratera você não encontra girafas! Como a caldeira é muito profunda, elas não conseguem descer ou subir ela com as perninhas finas! Kkk. Se você tiver sorte, você poderá ver algumas na beirada da caldeira no topo. O nome delas vem da palavra árabe “girafa” que significa andar rapidamente. Combina com elas né?!

Diferentemente do Serengeti, não é possível circular fora da estrada demarcada durante o safári. As atividades na Cratera são limitadas aos game drives. Não é permitido fazer walking safaris e nem safari noturno. A região pode ser visitada o ano inteiro com exceção em abril e maio, período mais chuvoso e quando as estradas ficam de difícil acesso. Os meses mais cheios são julho e agosto, então vale a pena ir em setembro que ainda é a alta estação, mas sem a muvuca. A Cratera de Ngorongoro não é um zoológico, mas pode ser MUITO movimentada. Como em muitos dos destinos excepcionais do planeta, você não será a única pessoa a visitar Ngorongoro! Por causa disso, não há como negar o fato de que o safári lá não é tão autêntico quanto em outros lugares da África, pois há simplesmente muitos visitantes e muitos jipes, mas pensa que é um destino único – você está em um safári em um vulcão extinto que não existe em nenhum outro lugar do mundo! Na minha opinião, já vale a viagem só por este motivo! Kkk.

DAY 4

Acordamos então às 4h30 em Zanzibar, também na Tanzânia e voamos com a Auric Air para Arusha, aonde encontramos a minha tia e conectamos em outro avião para o Manyara airstrip. O voo para Arusha durou cerca de 1h30 e o voo de Arusha para Manyara mais 50 minutos. Todos esses voos foram feitos em aviões pequenos – os chamados “bush flights”. Eu não tenho medo, sou bem destemida com relação à aeronaves pequenas, mas posso afirmar que os voos foram bem tranquilos e veja bem, não é que existe outra opção de transporte! Hahaha. Você só consegue chegar nesses lodges de safari através desses bush flights, então vá na fé! Kkk. Acho que vale mencionar que esses bush flights são bem imprevisíveis – por mais que você tenha reservado um voo num determinado horário, tudo pode mudar de última hora. Eles confirmam o horário apenas na noite anterior e muitas vezes adicionam paradas ao longo do caminho. Para vocês terem uma ideia, nosso piloto esqueceu um passageiro em Zanzibar hahaha, então após 20 minutos de voo, tivemos que voltar para buscá-lo. Já viram isso? É tudo muito informal hahaha. Além disso, saindo de Arusha, tivemos que parar no aeroporto de Kilimanjaro para buscar outros passageiros antes de seguir viagem para o Manyara airstrip. Já estou avisando para vocês não estranharem e nem ficarem nervosos se isso acontecer! Que nem eles dizem, “Hakuna Matata”!! Hahaha. E não se preocupe, que de alguma maneira mágica, tudo dá certo no final. O outro voo espera vocês chegarem, etc. É meio louco, mas engraçado! Kkk.

O acesso para o Ngorongoro Crater é feito pelo Manyara airstrip, uma pista de pouso de terra no meio do nada basicamente kkk. Fomos recepcionados por nossa guia da &Beyond, a Aziza, e dirigimos quase 2 horas até chegar no &Beyond Crater Lodge, nosso hotel pelas próximas duas noites. A estrada até entrar dentro do Parque Nacional de Ngorogoro é boa e asfaltada, mas a outra metade é tudo de terra e um treme treme do caramba! Se preparem! Hahaha. Chegando, fomos recepcionados por todo o staff do nosso camp – e que recepção! O povo da Tanzânia é demais!! São super acolhedores, alegres e sorridentes, é sempre um prazer conviver com eles. Fomos recebidos com muito carinho, dança e música – a energia é contagiante!

O &Beyond Crater Lodge é maravilhosooo! Sempre vi fotos do hotel e finalmente chegou a minha vez de se hospedar lá! Sabe aquele hotel que pode até parecer um pouco cafona em fotos, mas ao vivo tudo faz sentido e combina?! Charmoso e único, esse é o Crater Lodge. Construído originalmente nos anos 60, a &Beyond assumiu a propriedade no final dos anos 90 e diminuiu o tamanho do lodge pela metade para reduzir o impacto na cratera. Por sinal, a companhia está sempre procurando novas maneiras de minimizar o impacto ambiental e ajudar na conservação dos animais. Hoje em dia o lodge conta com apenas 30 quartos e o hotel é dividido em três camps: north camp, south camp e o tree camp. Cada acampamento tem seu próprio restaurante e áreas comuns, então acaba que você fica no seu e nem vê o pessoal dos outros camps. Isso é bacana porque a experiência se torna ainda mais exclusiva. O north camp e o south camp possuem 12 quartos cada, enquanto o tree camp tem apenas 6. Nós ficamos no south camp. Tirando as suas localizações um pouco diferentes, o north camp e o south camp são idênticos, enquanto o tree camp fica mais perto da borda da cratera e é cercado por bosques. A localização do Crater Lodge é muito especial – está situado na beirada da cratera, a 2400 metros acima do nível do mar, com vistas de tirar o fôlego. É tudo muito único: o lodge, a cratera e o visual. O hotel é reservado com pensão completa, então inclui todas as refeições, bebidas alcoólicas e não alcóolicas, game drives, Wi-Fi e serviço de lavanderia. A maioria dos lodges funcionam assim e eu acho ótimo!

Nos instalamos nos quartos rapidamente e fomos almoçar. A mudança repentina entre praia e “bush” foi profunda e já comecei a entrar no clima do safári assim que chegamos no camp! O quarto é absolutamente incrível!! Cada suíte ocupa uma estrutura de madeira, pedra e palha que se assemelha às casas dos Maasai (a tribo local), com chaminés tortas e tons de laranja e amarelo. Por fora pode parecer simples, mas basta entrar e você irá entender porque o Crater Lodge é frequentemente descrito como “Maasai meets Versailles”! Kkk. Uma mistura eclética de painéis de teca, móveis vitorianos e toques africanos extravagantes cria uma atmosfera sumptuosa que é tão elegante e única quanto a própria cratera. Por dentro o quarto é enorme, com um banheiro super espaçoso, decoração dramática, mas acolhedora, e um belíssimo terraço com vista. A cama é uber confortável e possui aquecedor elétrico para esquentar nas noites frias – nada mais gostoso do que isso. De boas vindas, cada um recebeu uma caneca de vidro para encher de água e levar nos game drives, e também nos deram um livreto por quarto com informações da região e um checklist de todos animais e plantas para a gente ir completando durante o nosso passeio. Fomos apresentados ao nosso private butler, o Msisi, um fofo! Ele cuidava de cada detalhe e cada pedido, desde o tipo de bebida que você queria ter no quarto, até acender a lareira do quarto à noite ou colocar pétalas de rosas na banheira. Ele pensava em cada detalhe! O serviço do hotel é realmente impecável. Nada mais delicioso do que voltar para o quarto após um dia longo e cansativo, e encontrar a banheira pronta quentinha. Detalhes assim fazem toda a diferença concorda?!

Depois do almoço resolvemos relaxar e explorar a propriedade ao invés de fazer alguma outra atividade como visitar um vilarejo Maasai. Fomos visitar os outros dois camps, e amamos o tree camp que parece uma casa na árvore! Tem um balanço lindo na área comum! Vimos muitos pássaros lindos e um blue monkey, macaco endêmico da região. Aproveitando, já aviso que não sei o nome de todas as espécies que vi em português então vou escrever tudo quase sempre em inglês nos posts da África ok?! Desculpa, mas é mais fácil! Kkk. Uma coisa legal sobre o Crater Lodge: você nem precisa descer na cratera para ver animais – várias zebras andam livremente pela propriedade, assim como búfalos. Ficamos fotografando elas e aproveitamos para também conhecer a boutique do hotel. Aliás, vale mencionar que a boutique do Crater Lodge foi disparada a melhor de todos os hotéis que fomos. A loja é bem preparada e se você quiser, pode facilmente deixar para se equipar aqui. Eles vendem todos os casacos, malhas, jaquetas, coletes, calças, chapéus e afins.

Viajamos no final de setembro, mas mesmo assim ainda estava bem frio à noite e de manhã cedinho. Talvez seja porque estamos tão acima do nível do mar. Apesar de ser a alta temporada, saiba que em junho e em julho faz mais frio ainda!! As temperaturas podem cair abaixo de zero e tem bastante neblina. Traga bastante camadas para se agasalhar bem! Assim como na maioria dos lodges na África, o Crater Lodge é all inclusive. Cada dia eles oferecem um menu diferente no almoço e no jantar. Jantamos cedo, pois o dia tinha sido longo e capotamos por volta das 22h. A comida estava muito boa e durante o jantar ainda teve um show do Washa Washa Choir, composto por integrantes do staff do hotel. Foi bem legal! Vale mencionar que o lodge não possui cercas e está localizado em uma área de vida selvagem, de modo que animais grandes e potencialmente perigosos podem passar pela propriedade, especialmente à noite. É importante estar sempre alerta ao caminhar pelo camp e em caso de dúvidas (ou medo kkk), você sempre pode solicitar para um membro da equipe acompanhar você. Ao anoitecer, todo hóspede é escoltado ao seu quarto. Isso se aplica a quase todos os lodges na África.

DAY 5

No dia seguinte acordamos às 6h e tomamos café da manhã antes de sair no nosso primeiro safári da viagem às 7h! Estava bem friozinho de manhã, especialmente com o vento gelado então nos agasalhamos bem. Nessa época do ano, o tempo muda bastante, então enquanto de manhã está bem frio, a partir das 13h esquenta bem e você pode ficar de camiseta. À noite a temperatura cai de novo. Quem quiser ter uma ideia do que levar para África pode assistir o IGTV que fiz sobre a minha mala aqui! No Crater Lodge você pode optar entre fazer dois game drives por dia, ou então fazer um dia inteiro na Cratera, com um piquenique preparado pela equipe do hotel. Se você prefere almoçar no hotel, vale dividir em duas saídas, mas a melhor logística é fazer o full day, pois são 45 minutos de carro para descer até o chão da cratera, então você perde muito tempo na minha opinião. Nós resolvemos fazer o full day.

A estrada de terra é extremamente esburacada, pula e balança muito!! Diferente de outros lugares, aqui todos os jipes são fechados por lei dentro da área de conservação de Ngorongoro, mas o teto levanta e fica um pouco mais aberto. Daí você acaba ficando mais tempo de pé e tirando fotos de cima. Uma dica para quem estiver com uma lente grande: leve um bean bag para apoiar a câmera e poder capturar um ângulo melhor. Ajuda bastante! No caso eu não levei, mas a nossa guia tinha no carro duas almofadinhas para emprestar – senti falta dela nos outros lugares que não tinham!

No caminho, ao redor da cratera, passamos por alguns vilarejos Maasai. A reconhecida tribo Maasai vive um estilo de vida semi-nômade tradicional. Como pastores, o gado é essencial para seu modo de vida e eles movem seus rebanhos de acordo com a disponibilidade de grama. Sua emocionante dança cultural, roupas coloridas e impressionantes e intrincados bordados artesanais são famosos em todo o mundo. Antigamente, os Maasai habitavam a região que hoje é o Parque Nacional do Serengeti, criado em 1948 pela Portaria do Parque Nacional. A criação do parque causou problemas com os Maasai e outras tribos, resultando na Portaria da Área de Conservação de Ngorongoro (1959) que separou a área de conservação do parque nacional. Os pastores Maasai que viviam no Serengeti foram sistematicamente realocados para Ngorongoro, aumentando a população de Maasai e o gado que vive na Cratera. Hoje, Ngorongoro é a única área de conservação na Tanzânia que protege a vida selvagem, permitindo a habitação humana. O uso da terra é controlado para evitar efeitos negativos na população da vida selvagem. Por exemplo, o cultivo é proibido em todos os níveis, exceto nos de subsistência. No entanto, a legislação atual é ainda mais restrita, proibindo os Maasai de pastorear no “crater floor” (como é chamada a região dentro da cratera onde os animais se concentram).

O “crater floor” abrange um extenso 260 km²! É impressionante, especialmente visto do alto, para ter noção da dimensão. Como eu mencionei acima, não é permitido sair da estrada, então todos os jipes têm que seguir o fluxo. Dentro da cratera existe todo tipo de ecossistema então passamos literalmente o dia explorando cada local e vendo centenas de animais. Ficamos basicamente 9 horas fazendo safari! Dica: vale levar uma bateria extra para a sua câmera – a minha acabou e eu fiquei sem foto do finalzinho do safari.

No safari em si, vimos de tudo!! Um monte de animais, foi demais! Não vou listar todos os nomes aqui, mas vocês podem ver pelas fotos! Acho que vale mencionar os highlights do dia que foram a cena do acasalamento de avestruz (incrível – joguem no youtube para ver porque vale a pena kkk) e uma alcateia enorme de leões com bebezinhos e uma caça. Ao total foram 16 leões o que é muito!! Se preparem porque mesmo num veículo fechado, É POEIRA PARA TODOS OS LADOS!! Muito, muito pó! De verdade! Na hora do almoço, paramos para fazer um piquenique numa área especial designada à beira de um lago. Claro que a guia ficou de olho e pediu para a gente não andar muito longe do veículo só por precaução. A área de piquenique tem um banheiro bem próprio com papel higiênico e tudo, o que foi uma surpresa agradável, pois nem sempre é assim viu?! Geralmente você vai sem nada mesmo kkk. A comida que a equipe do hotel preparou estava super gostosa, tomamos vinho branco e ficamos curtindo a paisagem. Voltamos para o hotel por volta das 16h30.

O dia só não foi perfeito porque eu passei MUITO mal no final da tarde e à noite. Vomitei muito e tudo mais, então tive que ficar de molho na cama, nem jantei. Chamaram um médico para me ver, e como já era esperado, nada mais era do que os efeitos colaterais do remédio antimalárica que eu estava tomando.  Gente, foi horrível! Demorei uns dois dias para ficar zero novamente. Fiquei a base de macarrão na manteiga, frutas e água com reforçador de eletrólitos. Todo o pula pula no carro também não ajudou o meu estômago. Mas enfim, eu perdi o sundowner com a apresentação de dança dos Maasai, o que foi uma pena.

DAY 6

No dia seguinte, saímos cedinho do hotel em direção ao nosso próximo destino, o Parque Nacional do Serengeti, a “mãe” de todos os safaris na África, que serviu de inspiração para o filme “O Rei Leão” da Disney. Eu amei o Crater Lodge e valeu super a pena ter começado o nosso roteiro de safari no Ngorongoro Crater. Destaque especial para o serviço impecável do staff do lodge e a atenção aos mínimos detalhes. Toda a equipe foi super fofa comigo doente, nota um milhão! Para encerrar, acho válido falar que eu não recomendo fazer o meu roteiro em ordem inversa, ou seja, Serengeti primeiro e depois Ngorongoro. A imensidão das planícies do Serengeti e a quantidade de animais que você vê lá é tanta, que fazer um safari depois no Ngorongoro não seria tão legal. Seria uma espécie de “downgrade” de uma certa maneira. Acho a combinação dos dois safaris perfeita, desde que você comece com o Ngorongoro, ou senão faça só ele, por exemplo. Se você ainda não leu a minha matéria sobre Zanzibar, a primeira parada no roteiro, clique aqui.

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