DIdi Krepinsk

Reserve Aqui 04/03/2020

Depois de visitar a Cratera de Ngorongoro e Zanzibar, a terceira e próxima parada no meu roteiro da África foi o Parque Nacional do Serengeti, localizado no norte da Tanzânia. Reconhecido como Patrimônio Mundial da UNESCO, o santuário da vida selvagem que inspirou o filme “O Rei Leão” é famoso pelo fenômeno da natureza conhecido como a Grande Migração (“The Great Migration”), a travessia anual de milhões de gnus, gazelas e zebras em busca de comida e água migrando do Serengeti para a Reserva Nacional Masai Mara no Quênia. Esta jornada épica e sazonal é uma experiência profundamente emocionante e para quem ama fotografia é incrível! Foi exatamente por isso que resolvemos ir para o Serengeti – para conferir ao vivo e de pertinho a maior migração de mamíferos do mundo. Eu já perdi a conta de quantas vezes eu vi fotos ou vídeos desse fenômeno da natureza na televisão, em livros ou online. Presenciar isso ao vivo foi indescritível e uma das coisas mais legais que eu já fui. Definitivamente digno de estar no topo da bucketlist de qualquer pessoa! Feliz que eu já risquei essa aventura da minha! Recomendo DEMAIS!

O Parque Nacional Serengeti é sem dúvida uma das áreas selvagens mais famosas do mundo e uma fonte contínua de inspiração para escritores, cineastas e fotógrafos. É o parque nacional mais antigo da Tanzânia. A beleza do parque é que se pode ver infinitamente até o horizonte, daí o nome “serengeti” que significa “planícies sem fim” na língua Maasai. A vastidão das planícies é uma experiência humilhante – de verdade! É uma imensidão sem fim! A paz que você sente é inexplicável também. Abrangendo uma área de aproximadamente 14.763 km2, o Serengeti é considerado a “mãe” de todos os parques de safari, e é um daqueles lugares raros que superam suas expectativas. O Serengeti é a África que todos temos em mente – intermináveis ​​planícies de grama que se estendem até o horizonte, pontuadas apenas pelas acácias (aquela famosa árvore que vemos no filme O Rei Leão). Trata-se de um ambiente autêntico, sem cercas e com pouca interrupção do homem, então consequentemente, a concentração de caça é realmente fenomenal.

O Serengeti abriga a maior concentração de predadores da África! Vivendo dentro dos limites do parque há mais de 3 MM de grandes mamíferos, principalmente animais comuns – búfalo, elefante, leão, leopardo, rinoceronte, chita, gnus, zebra etc. Outros animais selvagens frequentemente vistos são babuínos, hiena, chacal, girafa, hipopótamo, javali, hyax, avestruz, gazela, macacos, eland, impala, reedbuck, topi, waterbuck e klipspringer. Mais de 500 espécies de pássaros enfeitam o parque. Estes incluem águias, garças, corujas, cegonhas, abutres e secretary birds. É o paraíso dos bird watchers! Kkk. Quando pensamos safari, pensamos naturalmente em ver os animais, mas o que não imaginamos é o quão legal é ver todos esses pássaros também. É um mais lindo ou estranho que o outro! Não estranhe se você se pegar olhando pássaros no binóculos o tempo todo! Hahaha. O meu favorito de todos é o “lilac breasted roller”. É a coisa mais linda todo coloridinho em tons de roxo, rosa e azul!

A Grande Migração dos gnus é, sem dúvida, um dos maiores espetáculos da natureza no mundo, e um ciclo que, ano após ano, atrai turistas do mundo inteiro para o Serengeti. Esse concerto da natureza é um ato dominado puramente pelo instinto e estimulado pela necessidade de sobreviver. É um drama sensacional que deixa todo mundo admirado. Não tem como não fica! Além disso, o gnu é sem dúvida um dos animais mais fascinantes que existem. Observar o seu comportamento é diversão garantida! Os números são controversos e cada pessoa fala uma coisa diferente, mas o consenso geral é de que essa extravagância consiste em mais de 2 MM de gnus, acompanhados por mais de 200 mil zebras e 300 mil Thompson gazelles, marchando juntos como um exército.

A travessia dos gnus é sazonal, então existe uma época certa para vê-los. A Grande Migração segue uma rota específica ao longo do ano, então dependendo da época que você for ao Serengeti, se quiser ver esse fenômeno, você terá que se hospedar em um determinado lugar do parque, que é ENORME por sinal! Kkk. Não adianta ir em setembro e ficar na parte oeste do parque, em Grumeti, por exemplo. Claro que você irá ver um monte de animais, mas não os grandes rebanhos. Por isso, é super importante acompanhar essa rota deles na hora de escolher o seu camp no Serengeti. Na época que eu fui, final de setembro, os rebanhos estavam no norte do parque, na fronteira entre o Quênia e a Tanzânia, fazendo a travessia de volta do Masai Mara para o Serengeti. Por isso, escolhemos um camp ao norte do parque, próximo ao Mara River. Não adianta ir em fevereiro, por exemplo, e querer ficar no mesmo camp que eu fiquei! É muito importante levar isso em consideração na hora de montar a sua viagem!

Os animais seguem um padrão anual de chuva, que os leva da parte mais ao sul de Serengeti até a parte mais ao norte. A estação seca no sul os obriga a viajar milhares de quilômetros através da fronteira para o território queniano de Masai Mara, que é verde o ano todo e tem um suprimento suficiente de água, servindo como refúgio. O ciclo do ano é iniciado no mês de janeiro, quando os gnus dão à luz milhares de bezerros em um breve período no sul do Serengeti. É em junho, quando a grama e a água começam a parecer escassas nas planícies, que os gnus iniciam seu êxodo para o norte, seguindo uma trajetória fixa, em busca de novos terrenos de pastagem e água. No final de agosto e início de setembro, as pastagens douradas do Masai Mara estão escurecidas como se tivesse uma nuvem preta, com hordas de gnus espalhando-se por todos os lados. Eles pastam por alguns meses, após os quais a jornada de retorno ao longo do mesmo caminho começa, completando assim o ciclo, apenas para começar a peregrinação novamente no primeiro mês do novo ano. Às vezes, o tempo de migração muda em uma semana ou duas devido a chuvas precoces ou atrasadas. Embora a rota e o sincronismo da migração sejam imprevisíveis, a melhor época para fazer safari no Serengeti se você quiser ver essa migração é entre julho a início de outubro, como eu fui. Se você quiser ver especificamente a travessia da Grande Migração nos rios, existe apenas dois lugares: no Mara River, ao norte do parque, e no Grumeti River, ao oeste. A travessia do rio Mara é a mais famosa e aquela que sempre aparece na National Geographic. A discussão é grande, mas a melhor época para ver a travessia no Mara River é supostamente no final de setembro (quando fomos), quando os gnus estão voltando do Quênia. Para ver a travessia em Grumeti, a melhor época é entre os meses de maio e junho.

No entanto, vale dizer que um safari no Serengeti não se limita apenas à Grande Migração. Muitos dizem que mesmo que você tirasse os grandes rebanhos do parque, ele ainda seria o melhor parque de safari da África. Fora isso, a imensa beleza natural do Serengeti tem suas vantagens – por mais que certas épocas do ano e certas áreas estejam cheias de turistas, sempre terá uma região desocupada e silenciosa. E veja bem, quando eu digo cheio, estamos falando em no máximo 7 ou 8 jipes no mesmo lugar de uma mesma vez. Não vimos mais que isso e olha que fomos na alta temporada! Por ser tão grande, tudo se espalha muito, e essa é a beleza do Serengeti. Não tenho palavras para começar a explicar a enorme quantidade de animais que vimos! Como mencionei no post anterior, já tinha feito safari duas vezes antes no Kruger National Park, na África do Sul, e a experiência simplesmente NÃO SE COMPARA! Esse foi disparado o melhor safari que fiz, então posso afirmar com todas as palavras que o Serengeti é melhor que o Kruger. Sei que essa foi uma pergunta que muitos me fizeram pelo Instagram.

Claro que ver a Grande Migração é o foco principal, mas vale a pena ir para o Serengeti em outras épocas do ano também! Aos que me acompanharam nos stories durante a viagem, vocês provavelmente notaram que eu vi todos os tipos de bebês!! Os meses de setembro e outubro são uma época boa para vê-los porque a maioria dos animais acabaram de parir antes das chuvas do verão, então tem muitos! O verão na África é igual ao nosso, então no final do ano. Chove muito no verão então o ideal é evitar. Apesar de ser um mês chuvoso, novembro ainda pode ser bom, porque as chuvas não tão pesadas e duram menos tempo. Evite a todo custo o mês de março – a estação mais chuvosa no Serengeti e quando os camps fecham.  Mas agora vamos ao que interessa! Kkk.

DAY 6

Saímos do Crater Lodge às 6h30 e voltamos pelo mesmo caminho que chegamos, cerca de 1h30 de carro até o Manyara Airstrip. Pegamos um aviãozinho da Coastal Aviation às 8h20 com destino a Kogatende Airstrip, situado na parte norte do Serengeti. Para variar fizemos uma parada no caminho kkk. O voo durou cerca de 1h20, bem tranquilo. Eu amo esses bush flights, é tão prático! Você simplesmente chega na pista de terra e entra no avião, sem a menor burocracia. Nos dias de hoje, onde o aeroporto pode ser uma saga, isso é demais! Se você estiver indo de Arusha para Kogatende é apenas uma hora de voo. Chegamos por volta das 10h e fomos recepcionados pelo pessoal da Nomad, empresa que opera o Lamai Serengeti, nosso camp no Serengeti.

A emoção do safari já começou no voo!! Nos aproximando da pista de pouso, pudemos ver uma travessia de gnus no Mara River! Foi demais ver de cima, pois você consegue ter uma noção melhor da dimensão do negócio! É como se você estivesse assistindo em slow motion do alto – é outra perspectiva! Também vimos hipopótamos e elefantes do avião. É nesse momento que você percebe a abundância de animais no Serengeti e é inevitável fazer a comparação com a África do Sul. Por exemplo, no Kruger, você irá ver 20 zebras, 3 leões e 4 elefantes, enquanto no Serengeti você vê 100 zebras juntas de uma só vez, 15 leões e 30 elefantes! É muito diferente e acho que só indo mesmo para entender isso. Ficamos bem impressionados logo na chegada. Já fizemos o nosso game drive matinal no trajeto do aeroporto até o lodge que durou cerca de 1h30. Poderia ser mais curto, mas fomos vendo animais e parando, então demoramos um pouco mais. No caminho vimos um monte de gnus, impalas, uma girafa bebê e um monte de elefantes. Além disso, vimos um crocodilo nilo dentro do rio (aqui tem muitos) e um baby hipopótamo! Outra coisa que não passou batido foi a quantidade ABSURDA de gnus. Como eu mencionei, os números são controversos, mas para mim parecia que tinha 5 milhões de gnus espalhados pelas planícies, formando manchas escuras na paisagem. É a coisa mais linda! Também conseguimos uma raridade no Serengeti – ver um rinoceronte preto com um bebê bem de perto. Chegamos super perto, demos muita sorte, foi super especial. Tudo isso aconteceu no trajeto entre o airstrip e o camp, ou seja, esse é o Serengeti! Hahaha.

Nos hospedamos por três noites no Nomad Lamai Serengeti, situado na região norte do Serengeti, em meio às espetaculares Kogakuria “kopjes” (rochas enormes). Esta é uma parte muito remota do parque. Para dar uma ideia, existem apenas 5 lodges permanentes na região norte do Serengeti, sendo o Nomad Lamai o melhor deles. O resto são mobile camps (acampamentos móveis) que vão seguindo a rota dos grandes rebanhos. Desses mobile camps, o da &Beyond é o melhor. Existe o Four Seasons Tented Camp que é lindo, e nós chegamos a olhar ele, mas ele fica mais no centro do Serengeti, então relativamente longe da Grande Migração nessa época do ano. Iria requerer muita logística, por isso optamos pelo Nomad Lamai, que fica super perto do Mara River. Já os Singitas Faru Faru e Sabora ficam mais na parte oeste do Serengeti. Como eu mencionei, a escolha do lodge é crucial no Serengeti e deve estar associada com a época do ano e a localização da Grande Migração. O Nomad Lamai fecha durante os meses de março a maio para manutenção, por exemplo.

O Lamai Serengeti pertence e é operado pela Nomad Tanzania, uma das primeiras empresas de safari a se estabelecer na África Oriental. O camp é reservado em regime de pensão completa, incluindo todas as refeições, uma seleção de bebidas alcoólicas e refrigerantes e serviço de lavanderia. Além disso, está incluso no preço também todos os game drives em veículos 4×4, bem como os transfers de e para a pista de pouso. Muitos me perguntaram no Instagram se o safari é organizado pelo próprio hotel e a resposta é sim – a maioria dos lodges costuma ser all inclusive e inclui todos os game drives. No entanto, com relação aos transfers de e para o aeroporto, eles podem ou não estar inclusos no preço, então precisa verificar isso antes com cada lodge.

O Lamai Serengeti possui 12 quartos, divididos em duas propriedades. O Main Lodge possui oito quartos e o Private Lodge, que pode ser reservado de forma exclusiva, possui apenas quatro. Nós ficamos no Lamai Private junto com um casal americano. Foi legal porque tivemos a sensação de estar numa casa e não num hotel. Tudo bem exclusivo. O Lamai Private possui a sua própria estrutura comunitária, separada do main lodge, que inclui uma sala de jantar, lounge e deck com piscina! Quem está hospedado no Private também pode frequentar as instalações comunitárias do main lodge, mas os outros não podem visitar o Private. Os quartos são acessados a partir de passarelas entre as kopjes. Cada um deles ocupa uma estrutura de madeira e palha que está bem aninhada nas pedras e posicionada com o máximo de privacidade em mente. O quarto em si é super bonito e eu diria que “rustic chic” kkk. Ele é simples, mas bonito! Super amplo, com decoração minimalista e bem iluminado. O negócio é realmente selvagem hahaha – você está literalmente no meio do “bush”! Não tem ar condicionado no quarto, mas tinha uma ventilador enorme que salvava a gente todo dia, especialmente a tarde quando fazia muito calor. À noite a temperatura caía então não sentimos falta do ar. Como uma espécie de tenda, todos os quartos têm fachada aberta e um amplo terraço, oferecendo vistas panorâmicas sobre as vastas planícies do Serengeti! É muito bacana. O banheiro era ótimo e o chuveiro funcionou super bem, mas de novo, nada luxuoso. Me perguntaram se entrava muito bicho no quarto, como insetos, e a resposta é não! As tendas são super bem feitas e montadas, não tive problema nenhum com isso, e olha que eu sou fresca! Fiquei surpresa até! E por fim, o Wi-Fi do lodge funcionou muito bem, mas apenas nos quartos. Achei isso legal porque força você a interagir com os outros quando se está nas áreas comunitárias.

Depois de instalados, almoçamos e relaxamos antes de sair no evening game drive às 16h30. O almoço no Lamai geralmente é servido como buffet, mas como em todos os lodges de safari, se você quiser algo especial é só pedir que eles fazem. Como eu ainda estava passando meio mal do remédio da Malária, eu pedi para fazerem um frango grelhado com macarrão na manteiga. Infelizmente, eu diria que a comida foi o único ponto negativo do lodge. Acho que poderia ter sido muito melhor, especialmente se comparado a todos os outros que ficamos. Deixou a desejar um pouco. Antes de sair no game drive, fomos apresentados ao nosso guia, o Anafi. De modo geral, que eu saiba, não existe guia que fala português – todos falam em inglês. O safari no final do dia costuma a ser mais curto, pois segundo as leis do parque, todos devem estar de volta nos camps até às 18h30, quando escurece. Na prática acaba sendo 19h, mas todos os guias seguem essa lei a risca, pois existem guardas florestais (“park rangers”) rodeando para fazer cumprir a lei. Antes de sair, nosso guia perguntou qual animal queríamos ver e eu prontamente respondi o leopardo, pois não vimos ele no Ngorongoro Crater. O Anafi prontamente atendeu a nosso pedido (demos sorte na verdade porque essas coisas são imprevisíveis) e ficamos um tempão observando um leopardo solitário no meio das pedras. Além disso vimos outras espécies endêmicas da região como o Topi, Grant’s e Thompson`s gazelle.

Acho que vale a pena esclarecer que nada é garantido num safari, pois estamos no meio da natureza. Por causa de anos de experiência, o guia costuma saber quais são os melhores locais para encontrar determinados tipos de animais, mas nem sempre conseguimos vê-los. É tudo uma questão de sorte mesmo…estar no lugar certo na hora certa. Além disso, os guias também se comunicam entre si para avisar quando avistam algo, o que facilita e muito o trabalho deles. Diferente da África do Sul, os safaris na Tanzânia e em Botswana não possuem trackers – vai apenas o guia dirigindo o veículo 4×4. Não consegui entender ainda o porque dessa diferença. Fiz essa pergunta para os guias, mas nenhuma soube me explicar direito hahaha.

A pergunta que mais recebi foi se eu senti medo e se você realmente fica bem perto dos bichos kkk. Sim, eu fiquei do lado, muito perto de verdade, mas senti zero medo! É tão incrível poder ver esses animais de perto, eles são tão bonitos, e é tão indescritível que não da nem tempo de pensar em ter medo! Não resta outra coisa a fazer a não ser admirá-los – ficar dentro do carro tipo “wow” apreciando tudo. No caso, eu também estava tirando fotos adoidada com minha super lente nova! hahaha. “Ah, é perigoso?” – claro que imprevistos podem acontecer, afinal você está no habitat desses animais selvagens, mas eles estão super acostumados com o formato dos veículos e o barulho do motor do carro, então eles nem piscam. Ficam super à vontade ao nosso lado. Em termos de procedimentos básicos de segurança num safari, acho que não tem muitos, apenas algumas regrinhas que você deve seguir como: se vestir de maneira apropriada (respeitar a cartela de cores sugeridas), falar baixo (especialmente quando estiver bem perto dos animais), não fazer nada para irritá-los como barulhos ou gritar, e sempre permanecer sentado dentro do veículo, porque esse é o formato que eles reconhecem então não se sentem ameaçados. Se você levanta ou coloca o seu braço ou perna para fora, você muda esse formato e pode ser um problema. Basicamente, siga sempre as orientações do seu guia para evitar perrengues.

Com relação aos mosquitos, não tive problemas na Tanzânia. Eu fui preparada para guerra contra eles hahaha, com certeza que agente iria sofrer, mas foi super tranquilo. Em Zanzibar os mosquitos só apareciam no final do dia, ao anoitecer, mas nada que incomodasse muito ou precisasse de repelente. Em Ngorongoro não tem mosquitos por causa da altitude, e no Serengeti, como fomos na época de seca e que não chove, mal tinha mosquitos. Na verdade, eram moscas mesmo que apareciam de vez em quando. Mas na dúvida né, continuei tomando o remédio da malária e usando aquelas pulseirinhas anti mosquitos que comprei na Amazon, mas também não sei dizer se funcionou. O fato é que não levei nenhuma picada, então algo deu certo! Kkk. Eu também tomava diariamente o complexo B, dizem que ajuda. Eu trouxe na mala o Exposis do Brasil, mas a maioria dos camps têm repelentes nos quartos e nos carros então se não quiser levar na mala não tem problema – eles são bem preparados. Eu cheguei a comprar também um repelente americano com 100% deet que usei na Amazônia, mas não gostei! O produto é muito melado, derrete o esmalte, etc…não recomendaria.

Voltamos para o camp, fizemos aperitivos e jantamos, e depois capotamos! Não parece, mas fazer safari cansa muito! Assim como muitos camps, o Nomad Lamai não possui cercas, de modo que os animais grandes e potencialmente perigosos passam livremente pela propriedade. Na primeira noite minha mãe viu um búfalo enorme do lado de fora do quarto dela e morreu de medo! Hahaha. Pensa que você está no meio do nada, num breu, escutando um barulho alto estranho…e quando você pega a lanterna do quarto para iluminar e ver o que está acontecendo, aparece um par de olhos piscando para você! Kkk. Por isso, é importante estar sempre alerta ao caminhar pelo camp, mesmo de dia. Em caso de dúvidas, você sempre pode solicitar uma escolta armada pelo radio. À noite e de manhã cedinho quando saímos para o safari, a escolta é obrigatória para sair ou ir para os quartos. Mas isso faz parte da aventura no meu ver! Hahaha.

DAY 7

No dia seguinte acordamos super cedo, às 5h e saímos do camp por volta das 5h15 para fazer o passeio de balão. Acordar cedo em safaris é essencial – não tem como acordar tarde, daí é simplesmente melhor nem ir! Por isso que mencionei no meu primeiro post da África, que as vezes fazer muito safari na lua de mel pode ser ruim, porque tem que acordar cedo todo dia! Lua de mel é para ser mais relax né?! Hahaha. Enfim, do camp até o launching site foram cerca de 45 minutos. Estava completamente escuro ainda quando chegamos. Enquanto o staff ia abrindo e preparando o balão, eles serviram bolinho e café/chá antes de decolar às 18h30. O balão não era privativo, então outras pessoas de outros camps se juntaram a nós. Teve um mini momento de pânico quando o piloto pediu silêncio e que todos se afastassem um pouco, pois havia um leão macho a 300 metros da gente. Eu vi ele – era enorme! Mas na medida que o dia foi amanhecendo, ele saiu andando e sumiu no meio do mato. Foi incrível ter visto ele assim tão perto da gente, pois ainda não tínhamos visto um macho adulto com uma juba totalmente crescida. Tudo indicava que seria um dia incrível!

A cesta do balão cabe 16 pessoas. São 4 mini cestas basicamente que cabem 4 pessoas cada, e no meio fica o piloto, que no nosso caso, era um espanhol super gente fina e divertido. O passeio durou cerca de 1h e foi incrível! É realmente muito bonito ver o nascer do sol do alto, vendo os animais em movimento…é uma perspectiva diferente. Vale super a pena. A nossa altura variava – às vezes estávamos bem altos, mas também fizemos alguns rasantes perto dos animais o que foi lindo! Vimos um monte! Na hora de aterrisar, o piloto pede para todo mundo entrar na posição de aterrisagem que é basicamente sentar e encostar a cabeça na parede interna da cesta. A aterrisagem não foi muito brusca, achei tranquilo – o piloto fez um bom trabalho! Hahaha. A equipe do balão nos buscou no local de aterrisagem (não foi o mesmo da onde decolamos) e nos dirigiu até o local do café da manhã no meio do mato! Não da nem para imaginar, mas montaram um buffet incrível de café da manhã, com direito a panquecas e ovos feitos na hora, e champagne! Foi super legal. Ficamos lá um tempão batendo papo todo mundo junto, antes do nosso guia Anafi nos buscar. Recebemos ainda certificados de ballooning! Kkk. Eu amei o passeio do balão, e apesar de ser caro, achei que valeu super a pena! Foi muito lindo! Recomendo, não deixem de fazer se puderem!

O Anafi nos buscou então às 9h30 e fomos tentar ver a travessia no Mara River. Demos sorte!! Tivemos que observar durante 1 hora os rebanhos em movimento antes da travessia de fato acontecer. Como eu mencionei acima, nada é garantido, mas se você tiver um bom guia experiente, e um pouco de sorte, você provavelmente irá ver esse fenômeno da natureza. É muito legal observar o comportamento dos gnus – que animais fascinantes! Você consegue sentir a tensão aumentando entre eles, na medida em que eles se preparam para atravessar o rio. É fantástico. Nosso guia acertou o local da travessia em cheio e presenciamos, segundo ele, mais de 6 mil gnus atravessando o rio, junto com algumas zebras, durante meia hora. Foi absolutamente MARAVILHOSO ver isso de pertinho. Vimos até um crocodilo afogando e matando um gnu, bem selvagem estilo Discovery Channel! Indescritível! Se isso ainda não estiver na sua bucketlist, você não sabe o que está perdendo! Sério! As fotos ficaram muito boas, mas não fazem jus à adrenalina que você sente no momento! Me senti no filme do Rei Leão na hora em que o pai do Simba, o Mufasa, morre numa debandada.

A manhã não poderia ter sido melhor, então voltamos para o camp com a sensação de “missão cumprida”, afinal conseguimos ver o que tanto queríamos – o motivo pelo qual viemos até o norte do Serengeti nessa época do ano. Almoçamos e fomos para o quarto descansar, aproveitar para baixar as fotos e usar o Wi-Fi! No game drive do final do dia, acompanhamos uma leoa tentando caçar gnus! Quase vimos um live kill, mas um reedbuck soltou um alerta em forma de assobio (“call of the wild”) avisando os rebanhos. Consequentemente, o elemento surpresa acabou e os gnus saíram correndo em silêncio total, o que foi o mais impressionante, pois normalmente eles são bem barulhentos. A natureza é demais! Ver um live kill é algo raro e emocionante de se ver – eu já vi uma vez no Kruger e nunca vou esquecer a cena, os cheiros e os barulhos! Ao anoitecer, voltamos para o camp, jantamos e capotamos depois de um dia bem agitado cheio de acontecimentos interessantes! Kkk.

DAY 8

No outro dia, saímos 6h30 do camp para mais um dia de safari. O tempo estava mais friozinho com um vento gelado – o segredo é sempre se vestir em camadas, porque durante o inverno a temperatura pode oscilar muito. Nosso café da manhã hoje foi no meio do mato e preparado pelo hotel. Fizeram um delicioso sanduíche, tinha iogurtes, frutas, etc. Vimos um monte de abutres e carcassas. Eu queria muito ver uma cheetah então nosso guia foi numa área onde geralmente encontram elas, mas não demos sorte. No entanto, conseguimos ver algo super raro: elefantes dormindo! Geralmente, vemos os elefantes dormindo em pé, mas dessa vez estavam deitados no chão, muito fofo! Devia ter uns 8 dormindo! Kkk. Você sabia que os elefantes também são destros ou canhotos?! Você consegue saber qual é qual, basta olhar para as presas – aquela que estiver mais gasta indica o lado que o elefante mais usa! Elefantes usam as suas presas para descascar as árvores e escavar sais e minerais da terra. Acho que vimos mais de 30 elefantes de manhã, além de um monte de girafas, hienas e alguns búfalos.

De volta para o camp, pedimos para servir o almoço no main lodge para conhecermos. Tem uma lojinha pequena também vendendo alguns souvenirs, mas nada demais. À tarde nós seguimos um grupo de 7 leões que estavam brincando entre si, esperando aparecer uma oportunidade para caçar. Essa oportunidade surgiu, mas o leão jovem errou o timing, então perderam a caça. Diferente da cheetah, o leão não corre atrás da sua caça – eles emboscam. O corpo deles é grande demais para correr, então eles precisam utilizar o elemento surpresa ao invés.

No Serengeti rodamos cerca de 50 km por dia no safari. A sensação que temos é que rodamos muito mais que isso, pois ficamos muitas horas sentados dentro do carro, mas como as estradas são off road, você anda mais devagar, sem contar que vai parando o tempo todo para observar os animais, tirar fotos, etc. A verdade é que é muito fácil perder a noção do tempo quando se está num safari! Acho que qualquer um que já fez pode concordar comigo nisso. Os game drives matinais duravam cerca de 6 horas, enquanto os no final do dia eram mais curtos, durando cerca de 2h30. Me perguntaram se o safari não era cansativo e se depois de um tempo não ficava repetitivo, e eu digo que repetitivo JAMAIS, cansativo, talvez um pouco no sentido de voltar exausto. Nenhum game drive é igual ao outro e todo dia você sai sem saber o que vai encontrar! Essa é a beleza da natureza, sempre imprevisível. Cada saída tem os seus highlights ou pontos altos, vamos dizer. E por mais que você já tenha visto todos os animais, por exemplo, você sempre irá vê-los em ambientes ou situações diferentes, como elefantes dormindo, avestruzes acasalando, bebês, animais caçando, tem de tudo! Sempre será diferente! Vale dizer que o tempo de safari em cada lugar pode ser diferente. Tem half day, full day…e até a duração do half day varia. Depende da hora que você sai de manhã, se seu veículo é privado e com isso tem a flexibilidade para montar o seu próprio horário sem ter que depender dos outros. Só sei que 3 dias no Serengeti foram incríveis – achei o número de dias ideal! Se você for fazer somente o Serengeti, considere ficar 4 noites para aumentar as suas chances de ver mais coisas. Caso contrário, 3 noites é suficiente. Eu acho 2 noites muito pouco para ver tudo, e isso porque estamos falando em percorrer apenas uma região do parque, afinal o Serengeti é ENORME! Também é válido alternar entre camps de diferentes regiões no Serengeti.

Na nossa última noite, preparam um Swahili buffet no lodge para o jantar. A comida estava deliciosa, muito bem temperada. Foi legal pegar um gostinho da comida local. De sobremesa fizeram um bolo super fofo em formato de coração com os nossos nomes escritos agradecendo a nossa estadia, cantando e dançando. Fizemos um brinde ao staff do Lamai e eles explicaram a importância do trabalho deles para ajudar a família. Ai gente, eles são uns FOFOS!! Juro! Foi a equipe mais fofa e atenciosa da viagem. Não mediram esforços para tornar nossa estadia confortável e memorável. O povo da Tanzânia é realmente encantador, alegre e acolhedor, é impressionante! A hospitalidade é simples, mas muito calorosa.

DAY 9

Como de praxe, acordamos cedo, tomamos café e às 8h saímos do lodge em direção ao Kogatende Airstrip. Dessa vez o trajeto foi mais rápido, pois não paramos para ver os animais. Nos despedimos do nosso guia e da Tanzânia – “maisha marefu”, e voamos para o nosso próximo destino, Rwanda! Amei, amei, amei a Tanzânia e o Serengeti foi o melhor safari que eu já fiz disparado! Fui embora com a sensação de estar deixando um pedaço do meu coração para trás. Até a próxima vez – eu com certeza vou voltar!!

Vou aproveitar este post para tirar algumas das principais dúvidas que as pessoas tiveram sobre os safaris no geral. Com relação à gorjeta, o certo é dar USD20 por dia, por pessoa, para o seu guia. Para o staff do lodge, você deixa USD 10 por dia, por pessoa – eles dividem tudo entre si depois. Nos aeroportos, você pode dar USD 1 por mala para quem carregar a sua mala. No geral é isso, então não se esqueça de levar dinheiro cash e trocadinho, porque ninguém vai poder trocar uma nota de USD 100 para você no meio do mato! Kkk. E não deixar gorjetas pega mal – elas já são esperadas e implícitas. Na África do Sul é um pouco diferente porque tem ainda o tracker, então você acaba pagando ao invés USD 15 por dia, por pessoa, para o guia e USD 10 por dia, por pessoa, para o tracker.

Com relação às crianças, cada lodge tem uma política diferente então antes de reservar, consulte a política de cada hotel. Alguns são somente para adultos, outros aceitam crianças de todas as idades, enquanto outros impõem uma idade mínima. Isso é comum, pois como mencionei acima nos procedimentos de segurança, pode ser perigoso ter uma criança no game drive se ela não souber se comportar, além de atrapalhar os outros hóspedes né. Acho que vai um pouco de bom senso da pessoa em saber que não tem nada a ver levar uma criança de 2 anos num safari (sim, eu recebi essa pergunta)! De todo jeito, não vi nenhuma criança fazendo safari na Tanzânia e acredito que seja por causa da Malária. Não faz sentido correr esse risco, então recomendaria levar as crianças para fazer safari numa zona “malaria free”, como no Shamwari, na África do Sul, por exemplo.

Safari é uma boa opção para idosos, pois não exige muito em termos de locomoção. Você apenas senta no carro e vai! É prático. Sempre tem várias pessoas mais velhas em safari. Para lua de mel também é uma opção desde que você combine com um destino de praia bem paradisíaco onde o ritmo é mais tranquilo para dar uma quebrada!

Na minha opinião, quatro dias completos é a duração ideal de um safari num logde. No entanto, sei que é uma viagem cara e consequentemente, muitos acabam optando por ficar apenas 2 noites, mas eu acho pouco! Cheguei num meio termo e faça 3 noites! Vale a pena! Infelizmente, não tem muito como fugir. Um bom camp de luxo na África não sai por menos de USD 1500 por dia por pessoa. É super caro, mas se você pensar é all inclusive e olha bem onde você está…no meio do nada, num lugar remoto, com um serviço impecável…não tem como sair muito mais barato que isso mesmo. É claro que existem opções mais em conta, mas eu acho que vale a pena investir num bom hotel se você puder – muda a experiência! Para mim, a escolha do hotel é uma das coisas mais importantes numa viagem! E com relação aos preços da África do Sul, a Tanzânia é cara igual. Escolha o seu camp com base na localização, padrão do serviço e dos guias, se oferecem veículos privativos ou não, as diferentes atividades oferecidas, tamanho dos quartos, decoração…o fato é que tem muita opção boa!

Com relação às vacinas, eu coloquei todas em dia antes de viajar, incluindo a de febre tifoide e os dois tipos de meningite (B e C). A vacina de febre amarela precisa estar em dia também para entrar na África do Sul, porto de entrada vindo do Brasil. Já o remédio da malária eu comprei nos Estados Unidos e chama Malarone. Foi preciso fazer uma consulta com um médico lá para poder pegar uma receita para comprar na farmácia da CVS Clinic. Não adianta levar receita do Brasil para tentar comprar esse remédio fora. Não vai funcionar. Não existe ainda vacina contra a malária, o único jeito é tomando esse remédio. Sei que no Brasil é possível comprá-lo também, mas parece que a burocracia é enorme então simplesmente não vale a pena. Tenho minhas dúvidas se eu tomaria o Malarone de novo, pois passei muito mal nos primeiros dias. Os efeitos colaterais foram horríveis, não sei se vale o perrengue sabe?! Mas por outro lado, você está protegido.

Com relação à mala, você pode ver tudo que eu levei aqui no meu IGTV. Fique esperto e verifique o limite de peso nos seus voos internos, pois o meu permitia apenas 15kg no total, mas isso varia entre cada companhia. Como os aviões são bem pequenos e possuem apenas 12 lugares, são bem restritos. Eles verificam e pesam as malas sempre então eles são bem chatos com isso mesmo…é uma questão de segurança para todos os passageiros então tem que respeitar né?! No entanto, eles não costumam pesar a sua mochila ou mala de mão, então rola levar uns kgs a mais como nécessaire, câmera, etc. Foi um desafio fazer uma mala tão pequena para tantos dias!  E por fim, sobre a minha câmera, levei a minha Fujifilm XT-20 com a lente Fujinon XF 100-400 mm OIS WR. Para fotografar animais, o ideal é que a lente tenha no mínimo 300 mm de zoom. Se você não quiser gastar dinheiro com uma super lente ou se fotografia não é o seu negócio, vale a pena investir num bom par de binóculos! É muito legal poder enxergar os animais de perto e observar todos os detalhes como textura da pele, cílios, etc. Não deixe levar um! Alguns camps oferecem binóculos para os hóspedes, enquanto outros não, então na dúvida, não deixe de levar um. As melhores marcas são Swarovski e Leica, mas você pode comprar um excelente par na Amazon USA por cerca de USD 30, assim como eu. É isso!

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